El tango y las calles

Um dos maiores motivadores desse blog é meu futuro ano de estudos em terras portenhas. Assim, resolvi resgatar uma crônica que nunca coloquei no papel mas sempre me vem à cabeça quando estou passeando pelas ruas estreitas de San Telmo ou pelas avenidas de Palermo.

Buenos Aires deve ter uma das maiores populações caninas do mundo. Enquanto as pessoas nos outros lugares compram samambaias, fazem hortinhas, compram bugigangas para coleções para se ocupar, os portenhos compram cachorros.

E não é só de pequinês e poodles que a casta canina da cidade é formada. Quanto maior e mais atrapalhado, parece que é mais querido o bichinho.

Na primeira vez que estive lá, constatei que um dos  bairros mais povoados pelos peludos de 4 patas era Palermo. Talvez pelo seu tamanho e pela quantida de prédios, pudesse abrigar mais e mais animais.

Mas como eu falei, a cidade é tomada de prédios, então aonde raios eles passeiam? e como?, se os portenhos parecem estar sempre ocupados e preocupados com seus afazeres (a se julgar, em grande parte, pelo trânsito caótico e barulhento da cidade).

E aí que surgem os “paseadores de perros”.  Profissão bem desenvolvida na cidade, talvez até com algum sindicato ou coisa que o valha. Essas pessoas, na maioria jovens,  ganham a vida levando os bichinhos dos outros pra dar uma banda pelos parques da cidade e, principalmente para fazerem suas necessidades fora dos belos “apertamentos” de seus donos.

Como cada passeio deve render poucos pesos, o pessoal acaba juntando 3, 5 e até 10 cães para os tais bordejos. Lá vão eles, com suas tropas e, carregando 10 cachorros, quando um deles resolve se “aliviar” , não restam muitas opções de que fazer:

1) Não se abaixar para limpar, pq iria ser caótico com tantos cachorros nas mãos.

2) Não se abaixar para limpar,, pq eu perderia tempo para a próxima leva das 16h.

3) Não se abaixar para limpar, pq é orgânico e aduba a calçada.

4) Não se abaixar para limpar, pq o próximo que vier atrás de mim pisa e acaba limpando por mim.

Enfim… nunca passaria pela cabeça limpar pq deixaria a cidade mais agradável, limpa e cheirosa.

Acredito até que exista uma lei que vincule tal prática ao aprendizado de tango desde a tenra idade. Quanto maior a quantidade de “presentes” na calçada, maior o malabarismo a ser feito para atravessá-la. Assim surgiram passos como “cambios de dirección” – quando encontras um “obstáculo” grande e resolves mudar o caminho – , “contratiempos básicos con ochos” – quando caminhas por Palermo Viejo pelas bandas do Zoo Municipal, “paso básico sincopado”- quando acabas de desviar de um e encontras outro logo em seguida, obrigando a repetir o movimento-, dentre outros tanto ainda nem catalogados.

O problema maior é qundo acontece o “toque y enrosque”, passo criado por algum azarado que acabou escorregando na m…

Para ler escutando La cumparsita.

Um pensamento sobre “El tango y las calles

  1. Faz todo o sentido, eu estou convencido de que está é a verdadeira origem do tango.

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